Número de mortes por covid-19 em Minas pode ser seis vezes maior do que o informado

O número de mortes por covid-19 em Minas Gerais pode ser seis vezes maior do que o divulgado oficialmente pela Secretaria Estadual de Saúde. A subnotificação é apontada em um estudo da Universidade Federal de Uberlândia. Para o coordenador da pesquisa, o professor Stefan Vilges de Oliveira, Minas Gerais está ‘apagando o incêndio de olhos fechados’.

O crescimento de quase 650% do número de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no estado é um dos elementos apontados pelos pesquisadores. Em Minas, morreram 201 pessoas por covid-19 entre janeiro a abril de 2020. No mesmo período, o estado registrou 539 óbitos por SRAG.

Em entrevista à Itatiaia, Stefan Vilges de Oliveira, da Faculdade de Medicina (Famed/UFU), explicou que foram analisados dados públicos de registros cartoriais dos óbitos e do sistema de informação de agravos de notificação.

Observamos esse aumento da frequência principalmente da SRAG quando comparado com os anos anteriores, o que potencialmente poderia mascarar os diagnósticos e casos da covid-19 no estado”, disse. “O que nos preocupa é que esses números apresentados como oficiais podem estar, e com certeza estão, subestimados frente a esse aumento exagerado dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave”, completou.

Até essa segunda-feira (25), a Secretaria de Saúde de Minas registrou 230 mortes por coronavírus. Conforme a pasta, foram infectados pelo vírus 6.962 pessoas; dessas, 3.467 recuperaram e 3.265 casos estão em acompanhamento. Pelo estudo, o número real de óbitos passaria de 1.300.

“Quando avaliamos as médias dos anos anteriores e observamos essa frequência de 600 vezes mais casos de SRAG, poderíamos pensar que pelo menos o número de óbitos que nós estamos registrando seria, aproximadamente, seis vezes a mais do que a gente observou, dado que esses casos que se ampliaram são de clínica compatíveis com a covid-19”, disse o professor.

SES

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais informa que, neste momento, há inúmeras hipóteses sobre o aumento do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e este fato pode estar relacionado à maior sensibilidade em notificar casos de SRAG, a circulação de outros vírus sazonais e a circulação da covid-19 na população mundial.

A SRAG é a classificação de uma manifestação sindrômica e é atribuída a outros agentes causadores. Contudo, a classificação por associação ao SARS-CoV-2 só pode ser atribuída por meio de evidência laboratorial ou por evidência clínico epidemiológica de um caso que esteja diretamente vinculado a outro caso, que tenha sido laboratorialmente confirmado.

Importante destacar, ainda, que diversas doenças respiratórias podem evoluir com quadro de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), desde uma asma, bronquite, passando por uma pneumonia, tuberculose, intoxicação exógena, edema agudo de pulmão, câncer, além das gripes e do próprio coronavírus. Ou seja, qualquer quadro de insuficiência ou dificuldade respiratória aguda que apresente febre (ou sensação febril) e ficou hospitalizado ou que evoluiu para óbito por SRAG independentemente de internação, é notificado como “SRAG hospitalizado”. Sendo assim, o caso grave de SRAG, que tiver indicações clínicas e epidemiológicas para coronavírus será testado para covid-19.

Além disso, informamos que a SES-MG acompanha as notificações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Minas desde 2009. Em 2020, tivemos um número maior de notificações, mas esse aumento não refletiu linearmente na sobrecarga do sistema público de saúde.

Em relação à realização de testes, é importante frisar que neste momento, conforme orientação do ministério da saúde, a indicação para realização para coleta de amostra e testagem é indicada para alguns grupos

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