Cruzeiro contesta dívida com Minas Arena e diz que receitas do estádio são geradas pelo clube

O Cruzeiro não concorda com a dívida de R$ 26 milhões anunciada pela Minas Arena em relação ao custo operacional do Mineirão em dias de jogos no estádio. Em nota divulgada no fim da noite desta terça-feira, o clube celeste contestou o valor repassado pelo diretor comercial da concessionária, Samuel Lloyd, e informou que, na verdade, acredita-se que o débito seja de aproximadamente R$ 18 milhões.

Em entrevista , nesta terça-feira, Samuel Lloyd ressaltou que a dívida do Cruzeiro pelo não pagamento das despesas do estádio desde 2013 estão divididas da seguinte forma: R$ 12 milhões (de 2013 a 2015), R$ 12,4 milhões (2016 e 2017) e R$ 1,8 milhão (2018 e 2019 – período da atual gestão do clube).

No comunicado, o Cruzeiro concorda com a Minas Arena de que o débito da gestão de Wagner Pires de Sá é de R$ 1,8 milhão. Contudo, o clube celeste observou que, há quase três anos, parte da renda líquida de todos os seus jogos no Mineirão é depositada em juízo para o pagamento da dívida e que o montante é de cerca de R$ 10 milhões. “O Clube ainda esclarece que, desde junho de 2016, 25% da renda líquida em todos os seus jogos são depositados em juízo, valor este acumulado em mais ou menos R$10 milhões”, diz o trecho da nota.

No início do mandato de Wagner Pires, o Cruzeiro informou que voltaria a pagar os custos operacionais do Mineirão que, por contrato, são 70% do clube. Na nota, a diretoria celeste frisou que “mesmo tendo voltado a pagar por tais despesas, isso não significa que o Clube concorde com o que é cobrado pela Minas Arena, mas, sim, uma sinalização pela busca de uma melhora na relação cotidiana com a concessionária.”

Além de questionar o total da dívida, o Cruzeiro aproveitou para ‘cutucar’ a Minas Arena afirmando que a arrecadação da concessionária só é possível graças ao clube, que manda jogos regularmente no estádio e gera as receitas.

“O Clube ressalta que, apesar de algumas declarações de Samuel Lloyd darem a entender que a Minas Arena poderia ter prejuízo devido à parceria, a concessionária possui diversas fontes de receitas que só são estimuladas pelos jogos do Cruzeiro, entre elas 2/3 do lucro do estacionamento e dos bares, exploração publicitária de forma exclusiva do espaço do estádio que não sejam placas no gramado, venda de cerca de 6 mil ingressos nas áreas nobres do Mineirão, comercialização dos camarotes e de pacotes anuais de ingressos, uma vez que o Cruzeiro é o único clube que garante ao estádio um calendário fixo de eventos durante todo o ano”, destacou.

Por fim, a direção do Cruzeiro apontou que a administradora do Mineirão “vem sendo alvo de investigações e denúncias em órgãos especializados, como a CPI da Minas Arena”, e compartilhou três reportagens que mostram indícios de supostos desvios de dinheiro durante a reforma do estádio para a Copa das Confederação e Copa do Mundo.

Confira a íntegra da nota divulgada pelo Cruzeiro:

Nota oficial – Minas Arena

O Cruzeiro Esporte Clube vem a público se manifestar a respeito de declarações dadas nesta terça-feira, 9 de abril, em diversos veículos de comunicação pelo Sr. Samuel Lloyd, diretor da Minas Arena, envolvendo o contrato em vigência entre o Clube e a concessionária que está responsável pela gestão do estádio Mineirão.

Em suas declarações, Samuel alega que o Cruzeiro não teria repassado à concessionária um montante que ultrapassa os R$ 26 milhões, valor contestado pelo Clube, relacionado ao custo operacional de seus jogos no estádio.

Devido ao contrato de fidelidade firmado pelas partes no ano de 2012, o Clube possui a prerrogativa de analisar as condições que a Minas Arena oferece para que outros clubes atuem no estádio e, caso queira, adotar este modelo desde então.

Desta forma, desde o mês de julho de 2013, após o Atlético-MG atuar no Mineirão sem a necessidade de pagar pelos custos operacionais em uma partida, o Cruzeiro – se baseando no contrato – entendeu que tinha o direito do mesmo tratamento e a questão entrou na esfera judicial, na qual permanece.

Diferentemente dos valores declarados por Samuel Lloyd, o Cruzeiro acredita que o atual montante esteja na casa de R$ 18 milhões, motivo de nova contestação judicial, uma vez que a Minas Arena alega que o valor chega a R$ 26 milhões. O Clube ainda esclarece que, desde junho de 2016, 25% da renda líquida em todos os seus jogos são depositados em juízo, valor este acumulado em mais ou menos R$10 milhões.

Cabe ressaltar que o montante relacionado à atual gestão administrativa do Cruzeiro Esporte Clube, do triênio 2018-2020, presidida por Wagner Pires de Sá, está na casa de R$ 1,8 milhão.

O Cruzeiro reitera que, mesmo tendo voltado a pagar por tais despesas, isso não significa que o Clube concorde com o que é cobrado pela Minas Arena, mas, sim, uma sinalização pela busca de uma melhora na relação cotidiana com a concessionária.

O Clube ressalta que, apesar de algumas declarações de Samuel Lloyd darem a entender que a Minas Arena poderia ter prejuízo devido à parceria, a concessionária possui diversas fontes de receitas que só são estimuladas pelos jogos do Cruzeiro, entre elas 2/3 do lucro do estacionamento e dos bares, exploração publicitária de forma exclusiva do espaço do estádio que não sejam placas no gramado, venda de cerca de 6 mil ingressos nas áreas nobres do Mineirão, comercialização dos camarotes e de pacotes anuais de ingressos, uma vez que o Cruzeiro é o único clube que garante ao estádio um calendário fixo de eventos durante todo o ano.

Por mais que o discurso por parte da concessionária e de seu principal representante seja o de cumprimento de contrato, é de conhecimento público que a Minas Arena vem sendo alvo de investigações e denúncias em órgãos especializados, como a CPI da Minas Arena, requerida pelo deputado estadual Léo Portela, que será submetida à apreciação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

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