Em semana decisiva, Temer faz apostas para ficar no cargo

Afundado numa crise que pode lhe valer o mandato, o presidente Michel Temer se prepara para enfrentar, nesta semana, o maior desafio desde que o escândalo das gravações de conversas com o empresário da JBS, Joesley Batista, veio à tona na semana passada. Na quarta-feira, ele conhecerá a decisão do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o pedido, feito por sua defesa, de suspensão da investigação. Temer é alvo de inquérito pelas acusações de corrupção passiva, obstrução à investigação e organização criminosa. No meio jurídico há divergências de entendimentos sobre se, de fato, o presidente cometeu crimes ao ouvir revelações sobre compra de juízes e do silêncio de envolvidos na operação Lava Jato e não tomar providências. Na esfera política, a decisão dos ministros do STF irá nortear os caminhos que DEM e PSDB, dois importantes partidos que dão sustentação a Temer no Congresso, irão tomar diante do escândalo .

A crise ficou ainda mais grave, ontem, com o anúncio da OAB de que irá formular, até quarta-feira, o pedido a ser protocolado na Câmara dos Deputados pelo impeachment do peemedebista. Paralelamente a isso, há uma nova convocação de greve geral de 48 horas no país, nesta semana.

Temer sofreu ontem uma nova demonstração de perda de apoio. Com baixa adesão, o presidente foi obrigado a cancelar, de última hora, um jantar de demonstração de apoio que havia agendado para o fim do domingo. Sem confirmação de presença da maior parte dos líderes de sua base aliada, o peemedebista transformou a conversa em um encontro informal, no Palácio Alvorada, com um grupo mais reduzido de aliados, que já estavam em Brasília.

O jantar era uma tentativa de demonstrar à opinião pública que o presidente não perdeu aliados no Congresso. Pela manhã, o governo havia feito a convocação o encontro, marcado para 19h30. O convite havia sido disparado pelo ministro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), em nome de Temer.

Parte dos líderes e ministros, entretanto, avisou ao governo que não chegaria a tempo, uma vez que havia optado por passar o fim de semana em seus Estados de origem e foram chamados de última hora. Auxiliares do presidente minimizaram a mudança de planos. Admitiram que a ideia inicial era mesmo fazer um encontro amplo, para discutir a atual conjuntura, mas que as conversas seriam mantidas na reunião informal.

Bezerra fica

Ministério. O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho, informou a Michel Temer que continuará no cargo. No sábado, o PSB, partido do ministro, decidiu pedir a renúncia de Temer. O ministro se reuniu com Temer na companhia de seu pai, o senador Fernando Bezerra (PSB-PE).

Prende

Renan. O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) divulgou nota ontem dizendo que se algum delator o procurasse para falar em propina ou caixa 2, “mandaria prendê-lo”. A nota foi considerada uma crítica indireta a Temer. O texto, porém, confirma que Renan esteve com o diretor da JBS Ricardo Saud.

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