O vice-prefeito e secretário municipal de Meio Ambiente de Itaúna, Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto (PL), teve prisão preventiva pedida pela Polícia Federal (PF) por suspeita de crimes como organização criminosa, corrupção ativa e lavagem de dinheiro, além de possível crime ambiental. O pedido faz parte da Operação Rejeito, deflagrada pela PF na quarta-feira (17/9), que revela esquema de órgãos ambientais no estado em prol de mineração ilegal. Itaúna é uma cidade mineradora e está localizada na região Centro-Oeste de Minas, a cerca de 80km da capital mineira.
Conforme representação criminal da Polícia Federal à qual O TEMPO teve acesso, Hildebrando supostamente atuava no nível operacional de uma organização criminosa que utilizava possíveis empresas de fachada no setor de mineração. Entre os integrantes, está Gilberto Henrique Horta de Carvalho, também filiado ao PL e próximo das principais figuras do partido em Minas, que até 15 dias antes da operação estava lotado no gabinete do vereador Uner Augusto (PL), em Belo Horizonte. Gilberto é apontado como provável articulador externo e responsável pela operacionalização financeira e era sócio de algumas empresas com o vice-prefeito.
Hildebrando é de uma família de políticos. Ele é filho de Gláucia Santiago (PL), ex-vice-prefeita de Itaúna. Ela se candidatou a deputada federal em 2022 e ficou como suplente, mas chegou a assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados quando Cabo Junio (PL) se candidatou, sem sucesso, à Prefeitura de Contagem, na Grande BH. O investigado também é neto de Hidelbrando Canabrava Rodrigues, deputado estadual e prefeito de Itaúna por dois mandatos. Seu tio, José Humberto Santiago Rodrigues, cujo nome de urna é Beto do Bandinho (PL), é vereador na cidade.
De acordo com a apuração da PF, Hildebrando participava ativamente de um grupo de WhatsApp usado para tratar de atividades ilícitas, era sócio da BRAVA Mineração e aparece em conversas interceptadas como articulador de ato de corrupção. A Justiça Federal determinou o sequestro e a indisponibilidade de todos os bens imóveis, a apreensão, arresto e sequestro de veículo do vice-prefeito via Renajud (Restrições Judiciais Sobre Veículos Automotores), além da suspensão das atividades da empresa BRAVA.
Em nota à imprensa, a Prefeitura de Itaúna anunciou que Hildebrando foi exonerado de suas funções à frente da Secretaria Municipal de Meio Ambiente até que todas as circunstâncias sejam devidamente esclarecidas. “Ressaltamos que o momento atual se refere a uma fase investigativa, sem qualquer condenação ou decisão judicial com trânsito em julgado. O Sr. Hidelbrando Neto, como qualquer cidadão, tem garantido o direito constitucional à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência”, afirmaram.
A administração municipal disse que os fatos 'não guardam qualquer relação' com o exercício de Hidelbrando de suas funções públicas municipais, seja como vice-prefeito, seja como titular da referida pasta. “Trata-se, conforme amplamente divulgado, de investigação de natureza pessoal, alheia à administração pública municipal”.
“A gestão municipal segue firme em seu compromisso com a integridade institucional e a confiança da população itaunense, reforçando que eventuais condutas individuais não refletem a postura nem os princípios que norteiam esta administração”, finalizou a prefeitura em nota. O prefeito Gustavo Mitre (Republicanos) não se pronunciou nas redes sociais sobre o assunto até a publicação desta matéria.