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Em quatro dias, Minas tem 26 novos casos de coqueluche, e medo de surto se alastra







Minas Gerais registra 26 novos casos de coqueluche em menos de quatro dias, contados entre sexta-feira (30 de agosto) e terça (3 de setembro), de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). Até o momento, foram confirmadas duas mortes pelo agravamento da doença no país, sendo a primeira no Paraná e a outra de um bebê de dois meses, em Poços de Caldas, no Sul de Minas. A criança morreu no dia 19 de julho. Outros 454 casos suspeitos, em Minas, estão sendo analisados.

A prevenção contra a coqueluche acontece através da vacinação que está disponível no Programa Nacional de Imunizações (PNI). De acordo com a Secretaria de Estado, o imunizante tríplice bacteriano (DTP) está sem estoque no país, porém a vacina pentavalente, que também previne contra coqueluche, difteria, tétano, Haemophilus influenzae do tipo b e hepatite B, segue disponível no SUS. A meta da pasta é imunizar 95% da população, mas até o momento a pentavalente foi aplicada em 71,09%. 

Segundo o Ministério da Saúde, em todo o país foram confirmados 608 casos até o dia 26 de julho deste ano. O número é mais do que o dobro dos 216 diagnosticados em 2023. “No Brasil, o controle da coqueluche é realizado por meio da vacinação de rotina das crianças. Contudo, desde 2016, o Brasil estava registrando queda nas coberturas vacinais, cenário revertido a partir de 2023”, justifica, em nota, o governo federal.


Doença respiratória é facilmente transmitida e pode estar subnotificada 

A principal ameaça com relação ao coqueluche está na transmissão por gotículas de saliva, como acontece com a covid, por exemplo. Segundo o infectologista Leandro Curi, a doença, mais nociva aos bebês e crianças, pode se manifestar de forma assintomática nos adultos e ser facilmente confundida com outras enfermidades, como a pneumonia.

O médico alerta para a sazonalidade da coqueluche. Segundo ele, o período do inverno, somado ao tempo seco, é propício para a transmissão da doença. Leandro Curi analisa que há possibilidade dos casos estarem subnotificados.

Devido ao perfil de transmissão da coqueluche, a vigilância em saúde precisa afastar os casos positivos do convívio social e acompanhar cada novo registro.

 Entenda a doença:

Os sintomas da coqueluche costumam aparecer em três fases:


Fase catarral (1 a 2 semanas):

- Nariz escorrendo (Coriza)

- Febre baixa

- Espirros

- Tosse leve e ocasional com aumento gradual que segue a próxima fase


Fase paroxística (2 a 6 semanas):

- Tosse intensa e rápida, que pode durar vários minutos

- Tosse com um som característico de "guincho" ao final

- Vômitos após os episódios de tosse

- Fadiga extrema após os episódios de tosse

 

Fase de convalescença (semanas a meses):

- Redução gradual da tosse

- Episódios de tosse podem reaparecer com a instalação de outras infecções respiratórias


Tratamento:

Após a confirmação do diagnóstico com exames clínicos e laboratoriais, o tratamento é feito com antibióticos. Além de repouso, hidratação adequada e medicamentos para aliviar os sintomas. É indispensável manter o paciente isolado até o término do antibiótico para evitar a propagação da doença.


Transmissão:

A transmissão da coqueluche ocorre, principalmente, pelo contato direto do doente com uma pessoa não vacinada por meio de gotículas eliminadas por tosse, espirro ou até mesmo ao falar.

 

Esquema vacinal:

Três doses da tríplice bacteriana: aos dois, aos quatro e aos seis meses de idade. Depois, uma dose de reforço aos 15 meses e um segundo reforço aos quatro anos. Gestantes também devem receber a vacina a partir da 20ª semana de gestação para proteger o bebê


A vacina para adultos não está disponível pelo Sistema Único de Saúde, com exceção de gestantes e trabalhadores da saúde

O imunizante pode ser adquirido no serviço privado, por cerca de R$ 200, e a imunização dura de cinco a 10 anos.




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